Após deixar CBAt, José Antonio Martins desiste de comandar Comitê Rio-2016

Ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), José Antonio Martins Fernandes, desistiu de assumir a presidência do Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016, que permanece em atividade mesmo após o evento.

Fernandes foi indicado para o posto em fevereiro, em assembléia geral que reuniu presidentes e representantes de confederações esportivas nacionais que fazem parte do quadro de associados do comitê, cuja dívida com fornecedores e ex-empregados supera os R$ 130 milhões.

A ata da assembleia está em processo de registro em cartório para sua homologação, e posteriormente Fernandes deveria tomar posse. Porém, o dirigente afirmou ao site Globoesporte.com que vai abrir mão do cargo. A justificativa são problemas de ordem médica.

"Houve uma reunião [assembleia] das confederações, e fui indicado, mas a ata ainda não foi registrada. Mas, por recomendação médica, não vou assumir" disse à reportagem.

Fernandes sofre de hérnia de hiato e já passou por duas cirurgias devido às complicações. Além da saúde, o dirigente sofreu sucessivos reveses políticos nos últimos meses. Em 25 de março, renunciou à presidência da CBAt -seu mandato ia até 2021- em meio a denúncias de fraude.

Em uma das acusações, a própria confederação confirmou que emitiu notas frias de mais de meio milhão de reais em 2014 em convênios com a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo. Fernandes também concorreu, em março, a uma vaga no Conselho de Administração do Comitê Olímpico do Brasil (COB), mas acabou preterido.

Com a recusa do dirigente, o Comitê Rio-2016 continua sem mandatário permanente desde a renúncia de Carlos Arthur Nuzman, em outubro, como desdobramento de sua prisão pela Polícia Federal.

Paulo Wanderley, que sucedeu Nuzman na presidência do COB, rejeitou cuidar também do órgão responsável pela Olimpíada, que ultimamente vinha sendo administrado interinamente por Edson Menezes, integrante do quadro de cinco membros do conselho diretor -os outros são Luiza Trajano (empresária), Manoel Felix Cintra Neto (ex-presidente da BM&F), Bernard Rajzman (ex-jogador de vôlei) e José Antônio do Nascimento Brito (ex-"Jornal do Brasil"). Porém, Menezes só pode comandar o comitê por um máximo de seis meses, por restrição prevista no estatuto. Assim, Fernandes surgiu como um nome forte para assumi-lo em definitivo. Agora, as confederações precisarão indicar uma outra pessoa.

O dilema agrava a situação de penúria do Comitê Rio-2016, cujas dívidas trabalhistas e com fornecedores superou R$ 130 milhões na última atualização feita pela auditoria. O valor total deve ser atualizado novamente em breve e, possivelmente, superar os R$ 200 milhões.

O comitê não tem dinheiro para pagar os credores e tem como estratégia fazer a Prefeitura do Rio e o governo do Estado do Rio a saldarem, como determina lei federal. O poder público, no entanto, já se manifestou que não tem interesse em dar mais dinheiro para o Rio-2016. De acordo com seu estatuto, o Comitê Rio-2016 precisa ser encerrado até 2023.


foto: divulgação

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