Hugo Calderano afasta idolatria por rivais do tênis de mesa: 'Quero ganhar deles'

Vice-campeão do Aberto do Catar de tênis de mesa no último domingo, o brasileiro Hugo Calderano conseguiu um feito semelhante ao de um tenista que chega à decisão de um Grand Slam. Ele tem uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2014. Recuperou para o Brasil, depois de 20 anos, o ouro individual do esporte nos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, em 2015. Chegou top 15 no ranking mundial, a melhor até hoje de um latino-americano. Se incorpora a função de ícone na mesma velocidade de seus golpes, Calderano afasta qualquer idolatria por adversários numa modalidade dominada por chineses. Ele afirma que não tem exemplos. A evolução que pretende ter no tênis de mesa explica isso:

"Tem vários atletas que eu admiro mas eu, hoje, como já sendo um dos melhores jogadores do mundo, não posso ter ídolo ou alguém que eu olhe muito para cima porque eu quero competir com esses caras, quero ganhar deles, principalmente nos eventos importantes" disse Calderano em entrevista ao canal SporTV. "Então, o que me inspira tem que ser eu mesmo. Sem querer parecer muito arrogante, mas eu acho que, para alcançar o topo e ganhar dos melhores, eu tenho que focar em mim mesmo e tentar brigar contra eles."

No último domingo, Calderano só parou diante do chinês Fan Zhendong, atual número 2 do mundo, por 4 sets a 0. Com o título no Catar, Fan vai assumir a liderança do ranking mundial na lista a ser atualizada em abril. Mas, antes de chegar à final, o brasileiro eliminou três pesos-pesados que estão à sua frente no ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF, na sigla em inglês). Nas oitavas de final, superou o alemão Timo Boll, atual número 1. Nas quartas, derrotou o japonês Tomokazu Harimoto (12º do mundo). Nas semifinais, bateu o chinês Lin Gaoyuan (quarto na classificação mundial).

"Eu, como sendo um dos 16 mais bem ranqueados do torneio, comecei na chave principal. Então eu peguei um atleta que veio da classificação, na primeira rodada, que era um atleta muito perigoso, o coreano Lim Jonghoon, e consegui vencer por 4 a 1. Na segunda rodada, enfrentei o alemão Timo Boll. Eu sabia que ia ser um jogo bastante difícil logo nas oitavas. Mas consegui jogar bem. Até acho que não joguei no meu melhor nível, mas também venci por 4 a 1" avaliou Calderano. "E, no sábado, se eu vencesse pelas quartas de final, sabia que eu teria outro jogo (no mesmo dia), a semifinal. Foi o dia que eu joguei melhor. Venci os dois jogos por 4 a 0, do atual campeão japonês, o Tomokazu Harimoto, e do número 4 do mundo, o chinês Lin Gaoyuan."

Vencer um jogador da China é superar um atleta do país que domina o tênis de mesa mundial. A modalidade tem 40 milhões de jogadores federados no mundo inteiro Dez milhões deles estão apenas na China. O Brasil conta com 20 mil federados. Dos 32 ouros distribuídos em Jogos Olímpicos até hoje no tênis de mesa, a China levou 28. O melhor resultado brasileiro em Olimpíada é dos Hugos, Calderano e Hoyama: o nono lugar. Foi a posição de Calderano na Rio-2016 e de Hoyama em Atlanta-1996.

"Com certeza eu tenho noção do que é chegar à final de um evento Platinum (que é correspondente a um evento Grand Slam do tênis), principalmente vindo do Brasil, que não é um país tradicional no tênis de mesa. Todo mundo que joga tênis de mesa sabe da dominância dos chineses e dos asiáticos no tênis de mesa. E eu fico muito feliz de conseguir disputar de igual para igual com as potências, até conseguindo vencê-las."

Existe a expectativa de que, com o vice-campeonato de domingo, Calderano chegue ao top 10 do ranking em abril. Mas ele disse acreditar que ainda não terá pontuação suficiente para tanto e que o Aberto da Alemanha é que pode alçá-lo ao grupo dos dez melhores.

"Mas é claro que eu tenho chance de entrar no top 10, sim. Se não for agora em abril, acredito que seja neste ano, sim" afirmou Calderano, citando o que considera seu ponto forte. "Acho que a minha autoconfiança, geralmente, é muito alta. Mas, do jeito que eu estava jogando, isso me ajudou a entrar no jogo mais confiante ainda. Consegui apresentar meu melhor tênis de mesa. Minha cabeça também estava muito concentrada em todos os momentos. Não deixei a minha concentração descer mesmo quando estava ganhando por 3 a 0."

Se diz não ter ídolos, Calderano sabe que seu desempenho o põe nessa condição. E pode ajudar a popularizar o tênis de mesa no Brasil.

"Desde que comecei a despontar no tênis de mesa, a fazer o esporte mais popular no Brasil, esse sempre foi um dos meus grandes objetivos. Um grande passo foi dado nos Jogos Olímpicos do Rio. Muita gente assistiu ao tênis de mesa e gostou. E inclusive começaram a praticar por causa disso. Muita criança, muito jovem, começou a praticar tênis de mesa. Acredito que agora, que eu estou chegando mais perto dos melhores do mundo, vai atrair mais gente para praticar tênis de mesa, ou mesmo como hobby ou assistindo pela TV. E isso é uma felicidade muito grande para mim."


Foto:Divulgação

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