Coluna Surto Mundo Afora #15

Por Bruno Guedes

A cada quatro anos, seja na de Verão, ou seja na de Inverno, sempre nos questionamos o porquê do Brasil ser um país de tamanho continental, população gigantesca e mesmo assim um anão em termos de desempenho esportivo. Além da total falta de engajamento público (do Estado) na massificação do esporte, há um problema que atinge diretamente na visibilidade, conhecimento e popularização das modalidades: a mídia.

Vivemos um momento de ressaca pós-Rio 2016. Desinteresse publicitário, investimentos caindo e retirada de patrocinadores privados ou estatais. Porém, quem poderia reverter isso, também virou as costas, parcialmente, para o esporte. Toda a mídia, não importa de qual veículo, praticamente se limitou a três eventos: futebol, basquete e vôlei. E, mesmo estes dois últimos, com coberturas superficiais e limitadas.


Sejam elas escondendo o nome dos patrocinadores (os chamados "Naming Rights"), caso da Superliga, onde se limitam a dizer o local de origem do clube, sejam eles ignorando as diversas competições que preenchem o calendário pelo ano. Há um desserviço que poucos percebem que é nocivo a todos. E ele está novamente acontecendo neste momento.

É o que ocorre agora com os Jogos Paralímpicos de Inverno. A competição é quase completamente ignorada pela mídia. A cobertura se limita ao Surto Olímpico e outros pouquíssimos veículos, cujo destaque não existe em grande escala e se limita a quem vai atrás da informação.

Menos espaço na mídia, não importa qual a modalidade, menos atraente para ser patrocinado. Sem patrocínio, sem investimento. Sem investimento, sem resultado. E sem resultado? Sem audiência. E é isso que ocorre a cada quatro anos, porém continuamos escondendo os esportes, os possíveis ídolos. É uma imensa bola de neve, onde todos saem perdendo.

Na semana que vem começa a temporada da MLB, a Liga Profissional de Beisebol dos Estados Unidos, a mais importante e rica do mundo. A ESPN e a Fox Sports, principais emissoras que transmitem os jogos para o Brasil e também detêm direitos sobre eles no exterior, o divulga e faz forte apelo comercial. E vão além. Não escondem a marca do New York Yankees ou do San Francisco Giants, com seus nomes completos, que assim vão se popularizando e virando estampas de bonés e produtos. Muito menos escondem os Naming Rights, como o AT&T Park ou o Citi Field. Todos ganham. Emissora, os times e, principalmente, o esporte local.

Graças a ampla popularização causada pela mídia, o esporte se tornou o mais popular nos últimos anos entre os menos famosos em solo nacional. Tal fato já se refletiu até em novos talentos, como Eric Pardinho, de apenas 16 anos, que após ganhar destaque durante jogos da Seleção Brasileira assinou um contrato de US$ 1,5 milhão com o Toronto Blue Jays, time do Canadá que faz parte da MLB.

Como ele, milhares de jovens procuram o beisebol, principalmente no Sudeste. E a modalidade estará no programa da próxima Olimpíada. 

Mas como se chegou a isso? Insistindo que o esporte não se limita ao futebol. Aliás, nem esse, tratado como "carro chefe" das editorias de esporte, saiu ileso da omissão midiática. O Red Bull virou RB Brasil, as Arenas Itaipavas se tornaram Arenas Pernambuco e Fonte Nova... Assim vão se fechando praças esportivas, investidores retirando o dinheiro.

Menos esporte nos sites, nas TVs, nas rádios e impressos. Menos tudo, inclusive dinheiro para os dois lados.

Prata no tiro esportivo durante a Rio 2016, Felipe Wu treina no clube da Hebraica em busca de patrocinadores. Seu esporte nunca mais apareceu na TV, teve foto em sites ou ganhou alguma edição especial no impresso.

Caio Bonfim, da marcha atlética, disse ao Correio Braziliense que ser atleta no Brasil não é uma profissão, mas uma missão. De fato, sem mídia, sem dinheiro.

No último final de semana aconteceu o NCAA de Natação, onde as universidades norte-americanas competem como um grande torneio entre elas. Com transmissão de emissoras locais e até via internet, a competição contou com nomes como as campeãs olímpicas Katie Ledecky e Simone Manuel. Entre elas, diversos outros atletas que ganharam visibilidade e novos fãs. Destaques ganharam patrocinadores, oportunidades e chances.

Bem diferente do Brasil, onde o anonimato é garantido até para os vencedores.

Assim seguiremos, cada vez mais nos lembrando dos heróis olímpicos, atletas vencedores do mundo todo. Mas aos nosso, alguns 15 minutos de fama... de quatro em quatro anos.

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