Após recusar Copa Davis, Feijão dispara contra presidente da CBT: "Westrupp é fantoche"

O tenista brasileiro João 'Feijão' Souza soltou o verbo em entrevista ao site globoesporte.com. Feijão teve um momento de reflexão da própria carreira e da vida, admitiu excessos cometidos na época em que frequentou o top 100 da ATP que prejudicaram uma sequência melhor. Falou sobre a expectativa de voltar a frequentar os grandes torneios, mas também disparou contra a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) sobre o tratamento recebido ao longo dos últimos anos.

"Eu nunca gostei da CBT do jeito que eles tocam as coisas. Nunca foram muito claras para mim. Nunca tiveram critérios em nada em termos desses patrocínios. Cada ano era de um jeito. E óbvio, eu estou com o Pardal (o técnico Ricardo Acioly) há 13 anos. Por mais que eu não siga com o Pardal como treinador agora, mas o Pardal é meu “pai” (...) E a CBT com essas desavenças com o Pardal acabava meio que descontando em mim. Ou o Jorge (Lacerda, ex-presidente). Tudo vem do Jorge na verdade, as decisões vinham dele. Como ele não batia com Pardal, respingava em mim. Eventos da CBT no final do ano, não me chamavam. Me chamaram acho que uma vez" disse Feijão, magoado.

No último ano, no entanto, a CBT trocou de presidente. Jorge Lacerda deixou o cargo em março de 2017, quando assumiu Rafael Westrupp. A mudança, para Feijão, não alterou em nada a visão da entidade quanto a ele mesmo e em relação à decisões tomadas. O tenista ainda afirmou que o atual mandatário segue a mesma linha do ex-presidente.

"Vou te dar um exemplo. O Westrupp é o fantoche do Lacerda, né? Tá de brincadeira, é óbvio. Para mim não mudou nada. Eu não tenho nada contra os caras, me dou bem com os caras, mas muitas coisas acho que respingam em mim por causa dessa briga política com o Pardal" disparou.

Procurado pela reportagem, o presidente Rafael Westrupp respondeu às críticas feitas por Feijão através da assessoria da CBT. O atual mandatário garante ter autonomia em sua gestão e afirma que apoiaria o tenista neste processo de recuperação de um melhor momento da sua carreira.

"Entendemos que o atleta está atravessando uma longa fase de resultados ruins, mas a busca de culpados e teorias conspiratórias não é o caminho para voltar a vencer. Torcemos para que Feijão volte a jogar no seu melhor nível e estamos prontos a apoiá-lo neste processo, mas reforçamos que ele nunca procurou ou tentou se comunicar com o presidente neste primeiro ano de mandato. Westrupp repudia fortemente a acusação leviana de que há interferência externa da gestão passada na atual. Westrupp expressa o respeito pelo presidente anterior, Jorge Lacerda, porém afirma que possui total autonomia em sua gestão, seguindo um planejamento realizado juntamente à sua diretoria e corpo técnico"respondeu a entidade.

A reclamação de Feijão se estende também ao atual capitão do Brasil na Copa Davis, João Zwetsch. Foram apenas três participações na competição: contra a Colômbia, em 2012, e contra Argentina e Croácia, em 2015. Segundo o tenista, ele ficou fora de algumas convocações sem ter um motivo claro para que isso acontecesse e lembra momentos em que não integrou a equipe brasileira sendo até mesmo o número 2 do país no ranking.

"No Japão, chamar o Clezar antes de mim... Por que vai chamar o Clezar antes de mim? Eu estava com ranking melhor, não estava bombando, mas estava com ranking melhor que o Clezar. Acho que eu estava em 160, ele não vinha ganhando, nem eu. Nada contra o Clezar, ele é superamigo meu. Não quero falar nada de ruim dele, é um brother meu. Se o Clezar fosse um cara que em Davis jogasse para cacete, representasse… Simplesmente chamaram ele sem critério nenhum.Eu tinha acabado de ter um filho, não foi capaz de mandar uma mensagem. Não foi capaz nem de ligar. Aí não falou p*** nenhuma dessa Davis. Aí eu falei, quer saber? F**-se a Davis. Tô cagando" criticou Feijão.

O capitão do Brasil na Copa Davis também foi procurado pela reportagem e respondeu através da assessoria da CBT, por e-mail. Zwetsch lembrou que Feijão e ele nutrem uma boa relação e afirmou que tem critérios técnicos para definir suas convocações, além de ser normal que haja discordância por parte de algum atleta.

Na entrevista, Feijão falou dos excessos cometidos quando teve o melhor ranking da carreira em 2015 e que a mudança para os Estados Unidos é para além de acompanhar seu mentor Ricardo Acioly, é se especializar em quadras duras e dar uma tranquilidade a sua mulher e filha, que vivem no Rio de janeiro e irão com ele para Miami. Feijão também afirmou que não tem mais vontade de jogar a Davis e é muito dificil que ele volte a representar o Brasil nessa competição.


foto: fotojump


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