Coluna Lógos Olympikus #8 - A hora e a vez das Coreias

Por Juvenal Dias

O dia 5 de disputas por medalhas em PyeongChang pode ter tido quatro eventos que premiaram atletas e até foram importantes, mas o que mais chamou a atenção foi a atuação das duas Coreias em competições que pouco significam em termos de resultados, mas significaram muito em termos de reconhecimento, de humanidade.


A primeira grande apresentação foi da Coreia do Norte na Patinação Artística – programa curto de pares. A dupla Tae Ok Ryom e Ju Sik Kim foram os únicos atletas do país a estarem nos Jogos Olímpicos por mérito próprio e não porque foram convidados. Eles justificaram esse merecimento e, depois de exibirem sua coreografia com a música “A Day in the Life (Um Dia na Vida)”, se classificaram em 11º para a final no programa longo. Cumpriram bem com os elementos obrigatórios, foram aplaudidos por todo público e representarão a Península Coreana amanhã, já que a dupla sul-coreana ficou em último. Quem diria que veríamos um momento assim? Um vizinho rival recebendo torcida do outro. Vai ser muito interessante, mesmo que a chance de medalha seja muito remota.

O outro momento emocionante aconteceu no Hóquei feminino. É uma daquelas partidas que pouco importa o resultado final. O Japão venceu o time das Coreias unificadas. Mas o mais bacana foi a hora em que Randi Griffin fez o primeiro e único gol da Coreia até agora na competição. Nesse instante voltamos a lembrar da cerimônia de abertura com a canção “Imagine”: não havia fronteiras, não havia diferenças, havia apenas alegria, com todas as jogadoras se abraçando, assim como a torcida nos acentos. Mágico! Essa é a palavra que, talvez, melhor traduza o que foi aquilo. O Japão ganhou por 4 a 1, mas aquela imagem certamente fará parte do clipe oficial que assistimos ao final dos Jogos. Os times já não tinham chance de classificação e jogarão novamente na disputa de 7º, mas a história já foi escrita.

Preciso ainda ressaltar os campeões do dia. No Snowboard Halfpipe masculino, o americano Shaun White mostrou porque é uma lenda. Ele que tinha sido campeão em Turim-2006 e Vancouver-2010 e tinha perdido em Sochi-2014, tinha sofrido um acidente no qual teve que tomar 60 pontos no rosto e vinha pressionado pelo australiano Scotty James e pelo japonês Ayumu Hirano, como ícones da nova geração, que superariam o atleta de 31 anos. Mas sua última volta foi praticamente perfeita, mostrando amplitude e versatilidade nas manobras. Além de ser o primeiro tricampeão americano nos Jogos de Inverno, foi responsável pela centésima medalha de ouro do país nesse tipo de Olimpíada. (Isso tudo pode ser ofuscado por uma denúncia vinda da ex-baterista da banda de Shaun, em que ele teria praticado assédio sexual em 2016, ainda a serem verificados os fatos).

Ainda dá para falar dos feitos do alemão Eric Frenzel, que se tornou o primeiro bicampeão do Cominado Nórdico desde 1980, e da holandesa Jorien Ter Mors, que não só foi campeã na Patinação de Velocidade – 1000m, como também bateu o recorde olímpico da distância. Além dos Tobias, Wendle e Artl,  Alemães que faturaram o bicampeonato no Luge duplas masculino. Mesmo com todos esses vencedores, o dia foi dos anfitriões.

foto: Paul Chiasson/AP

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