Coluna Lógos Olympikus #19 - Tradição faz últimos campeões de PyeongChang


Por Juvenal Dias

Acabou! As últimas competições dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang 2018 tiveram seus campeões coroados, todos com um fator em comum: serem mais tradicionais nas modalidades que seus adversários. Assim, se encerra mais uma edição de Olimpíada, faltando apenas a comovente cerimônia de encerramento.

Hoje tivemos apenas cinco eventos. Começamos o dia com Curling Feminino, seus momentos finais foram divididos com o Bobsled 4-man. Depois um evento de celebração, sem medalhas, a Patinação Artística de Gala, com todos os vencedores em exibições bem mais descontraídas. Um jogo eletrizante de Hóquei masculino não nos deixou dormir e, para concluir, Esqui Cross-Country feminino 30km largada em massa.

No Curling, havia uma empolgação muito grande dos coreanos com a expectativa de ganhar seu último ouro em casa, justificada pela excelente campanha até então com uma derrota na primeira fase e primeira colocação geral. Mas a Suécia é muito mais experiente em competições internacionais e chegadas em momentos decisivos. Isso já quase tinha pesado na semifinal, contra o Japão. Na partida derradeira, ficou evidente o nervosismo e a falta de cancha para lidar com momentos importantes. Muitos erros pequenos nos finais de ends foram somando pontos para as suecas e culminou no 8 a 3 encerrado antes do décimo turno. De qualquer forma, uma medalha de prata inédita, para quem nunca tinha chegado às finais, inclusive tinha terminado em último há quatro anos. Por outro lado, fantástica atuação da Suécia, que levam o tricampeonato. Em todas edições somam três ouros, uma prata e um bronze.

O Bobsled masculino é amplamente dominado pela Alemanha. Com exceção da última edição, figuraram no pódio de quartetos com pelo menos um trenó desde os Jogos de 1972, em Sapporo, no Japão. Dessa vez não foi diferente. Com direito a dobradinha nas duas primeiras posições, mostram o tamanho de sua força no esporte. Vale a pena ter duas das quatro pistas permanentes no mundo para treinar e se aprimorar dentro de seu território. A Coreia do Sul quase se intrometeu no meio, terminou empatada em segundo, dividindo uma prata que foi mais celebrada do que a do Curling. Neste momento, os alemães somavam sua 14ª medalha de ouro nos Jogos e assumia a liderança do quadro geral, igualando o recorde do Canadá, em Vancouver-2010.

Quem pensou em ter um descanso na madrugada, acordou com um jogasso de Hóquei. De um lado, uma Alemanha, que vinha como zebra, poucos apostariam que nem Estados Unidos, nem Canadá fariam a final, mesmo sem atletas da principal liga (NHL). Do outro, os Atletas Olímpicos da Rússia, que vinham mordidos de Sochi-2014, que não disputaram sequer o bronze em casa, e vieram com força total objetivando essa conquista. Mas o jogo foi muito mais duro do que se esperava. Os russos abriram um a zero, a poucos segundos de terminar o primeiro período. Os alemães não se abalaram e recuperaram a igualdade no placar duas vezes. Chegaram a virar o jogo em 3 a 2, com um sistema pragmático, do mesmo estilo que funciona seu futebol. Os russos tiraram o goleiro no final e conseguiram um heroico 3 a 3 para levar à prorrogação. Nela, foram implacáveis, se aproveitando de uma punição aos adversários e sucumbiram os alemães com o gol de ouro. Nenhum dos países tinha o ouro em sua história, porém a ex-União Soviética já teve oito campeonatos em Olimpíadas, contra apenas um bronze. Seria o segundo ouro do país, caso a nação estivesse figurando no quadro. 

Para fechar as competições no mais alto nível, no melhor estilo, com esquis de ouro, o maior nome da história olímpica de inverno, Marit Bjoergen, da Noruega, deleitou nossos olhos com sua última conquista na história dos Jogos. Nada mais tradicional que a maior medalhista de todos os tempos vencer novamente. Marit mostrou grande forma física ao arrancar com menos de 2km de prova percorrida e só ampliou sua vantagem até a linha de chegada no Esqui Cross-Country feminino prova de 30km largada em massa. Ester Ledecka vai ter que dividir o posto de maior nome desta edição olímpica. Afinal, uma mulher de 37 anos, que interrompeu seu último ciclo olímpico para ser mãe, ou seja, parou de treinar durante um ano, pelo menos, conquistar sua quinta medalha na Coreia, a décima quinta no total, seu segundo ouro, o oitavo da carreira, não é todo dia que acontece. Que maneira extraordinária de terminar as competições. Ainda será coroada durante a cerimônia de encerramento, mas a imagem dela sendo carregada e ovacionada pelas outras esquiadoras de seu país, já traz a dimensão do seu legado e de seu feito. Como se não bastasse, ainda deu a vitória para seu país no quadro de medalhas, igualando os 14 ouros, mas vencendo em pratas (14 a 10) e bronzes (11 a 7).

Agora restam as lembranças de uma grande edição de Jogos Olímpicos, a saudade de ver tantas histórias boas e o choro da despedida com a cerimônia de encerramento. 

Foto: Getty Images

 

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