Coluna Lógos Olympikus #18 - A primeira vez é sempre inesquecível

Por: Juvenal Dias

Engraçado, penúltimo dia de competições e você pensa: "o que teria de novidades hoje? Haverá alguns campeões, poderá ter alguns recordes, uma participação brasileira, mas na história vão olhar como mais um dia comum dos jogos". Na verdade, hoje foi dia de estreias e daquelas que ficam guardadas para sempre, que você conta com sorriso no rosto por ter presenciado tais fatos. Quem viveu esses acontecimentos então vai ostentar com muito orgulho de terem sido os primeiros a passar por esses fatos. Bom, vamos a estas estreias.

 
PyeongChang vai ficar marcado pela inauguração de diversas provas. Entre elas, uma das mais interessantes e disputadas ocorreu no Esqui Alpino. Trata-se da prova por equipes mistas na qual competem dois homens e duas mulheres de cada país em confrontos diretos contra os respectivos de outra nação. A Suíça vai poder dizer que foi a primeira campeã do evento e a primeira a ser respeitada como tal para as próximas edições.

Situação semelhante vive o canadense Sebastien Toutant, que pode se vangloriar de ser o mais "radical" a ter descido os 49m da rampa do Big Air, no Snowboard. Ele atingiu o maior somatório de notas e estipulou o primeiro recorde olímpico do evento. A modalidade vem da Mega Rampa do Skate e deve ter vindo para ficar, uma vez que proporciona imagens fantásticas e foi sucesso de audiência com público jovem, fato que o Comitê Olímpico busca constantemente, sem contar que demanda estruturas mais simples que Slopstyle, por exemplo.

Outra modalidade que incrementou uma prova e que, diga-se de passagem, é uma loucura, foi a Patinação de Velocidade. A nova disputa trata-se de uma corrida de 16 voltas com largada em massa, que soma pontos em sprints intermediários, mas que valem mais para tentar uma vaga na final que qualquer outra razão, na hora da medalha esses pontos não servem de nada que o pelotão engole o atleta que liderava e faz mais pontos em uma única passagem. Por mais que tenha sido emocionante, acho que precisa uns ajustes nesse sistema de pontuação. Mesmo assim, a japonesa Nana Takagi foi a grande campeã no feminino, enquanto o "prata-da-casa" oriundo da pista curta, Seung-Hoon Lee, foi condecorado com o primeiro ouro no masculino, para alegria geral coreana.

A primeira vez também pode ser a respeito de uma medalha, principalmente, se for dourada. Iivo Niskanen pode dizer que foi o primeiro campeão da Finlândia nesta edição da Olimpíada. Por mais que seja um país gelado e com estrutura para todas as competições que envolvem neve, sempre está aparecendo nas principais disputas, acumulava até hoje apenas quatro bronzes, convenhamos que não é tanto, principalmente pensando nos vizinhos Noruega e Suécia. Então, Iivo foi um salvador da honra.

Já os Estados Unidos devem ter acabado com as piadas canadenses de nunca terem ganho no Curling. O time masculino fez história, depois de ter ido à final mais uma vez após 40 anos, superou a Suécia com uma jogada espetacular no oitavo end, que lhe gerou não só a exclusão das pedras adversárias como também cinco pontos de uma vez. No placar que, até então, estava 5 a 5, dobrar sua pontuação foi determinante para a vitória inédita.

Ainda no Curling, o Japão entrou para o hall de medalhistas do esporte, ao vencer a tradicional equipe britânica por 5 a 3 e levar o valorizado bronze para casa. Antes, apenas a China havia conseguido tal feito entre os asiáticos. 

Mas a melhor estreia eu deixei para o final. O Snowboard teve mais dois campeões, Nevin Galmarini, suíço que conquistou seu primeiro ouro depois de três Olimpíadas e a versátil Ester Ledecka, da Rep. Tcheca. A jovem de 22 anos colocou seu nome como a primeira mulher a subir no lugar mais alto do pódio em dois esportes distintos. Já tinha conquistado o ouro no Esqui Alpino Super-G de forma tão improvável quanto a própria expressão dela sugeria. Hoje, na prova que era considerada favorita, o Snowboard Slalom Gigante Paralelo, confirmou a fama e levou a glória. Foi uma vitória incontestável e a coloca como um dos únicos três atletas de todos os tempos a conseguir tal feito. O que torna ainda maior esse fato é que os outros dois a conseguir isso, Thorleif Haug e Johan Grottumsbraten, em 1924 e 1928, respectivamente, fizeram no Esqui Cross-Country e Combinado Nórdico, que têm na sua segunda parte o mesmo estilo de esqui, então são modalidades "semelhantes", por assim dizer. O de Ester não, um com esquis que vai de frente, outro com uma prancha e vai de lado. É realmente a maior personagem de PyeongChang. E guardada para o final. Assim que gostamos.

Foto: AFP/Getty Images

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