Coluna Lógos Olympikus #11 - “Como isso aconteceu?”

Por Juvenal Dias 
 
Essas são as palavras da maior surpresa dos Jogos Olímpicos de PyeongChang. Dentre nove campeões que foram consagrados pela primeira, segunda ou até quarta vez no dia 8 da Olímpiada de inverno, não tem personagem como a tcheca Ester Ledecka. Não há história mais espetacular. As imagens dela incrédula, sem entender o que tinha acontecido ao final da prova dizem tudo. Mas vamos com calma, do princípio.


Imagine que você pratique dois esportes. Em um você é muito bom, no outro, não tem nenhum destaque. Mas para os dois você se classifica para um evento importante, nesse caso, o mais importante da sua vida. Obviamente que vai competir nos dois, mas você cria uma expectativa para aquele que vai melhor e pode brigar por medalhas. Mas de repente, ao participar do outro esporte, descobre que é a(o) nova(o) campeã(o) olímpico. Esta é a vida de Ester a parir de hoje. Ela é favorita a conquistar o ouro no Snowboard Paralelo Slalom Gigante. No entanto, foi a mais veloz do Esqui Alpino Super-G por um centésimo de segundo de diferença e levou o ouro de forma inesperada. Tanto que nesta prova, ela não consta entre as primeiras 40 colocadas do ranking!

As favoritas já tinham descido e marcado seu tempo, a austríaca Anna Veith já comemorava o bicampeonato da prova, toda a internet já postava o resultado das três primeiras, inclusive a contra oficial dos Jogos Olímpicos. Ester ainda desceria, seria a 26ª a percorrer o caminho. A atleta anterior a ela, a sueca Lisa Hoernblad tinha ficado a mais de um segundo e meio de diferença da líder. Mas tem certas coisas que não têm explicação. A descida de Ester começou com a primeira parcial acima do melhor tempo, depois fez 0.18 abaixo, caiu para 0.04. Nisso já tinha feito um salto levemente errado. Veio para a última parcial, na tangente da curva errou e aterrissou desequilibrada, mas não o suficiente para sair do caminho e a confirmação do tempo ao cruzar a linha: 1min21s11, um centésimo a menos que a marca anterior. Anna Veith ficou com a cara no chão. Ester não entendia a vibração do público, ficou parada. O cinegrafista avisou que era ela a campeã. Mesmo assim não acreditou, achou que havia algum erro de marcação ou que tinha se equivocado na passagem de algum portão. Se bobear, até agora, já passada a coletiva de imprensa, na qual foi com os óculos gigantes de competição no rosto, por alegar não estar preparada, nem ter maquiagem, passada a cerimônia de premiação, ela não deve estar acreditando. Que deliciosa história a ser contada.

Deixa uma lição preciosa de que a surpresa sempre pode aparecer no esporte, o imponderável está à espreita de uma brecha. Não pode menosprezar aqueles que nunca apresentaram um resultado significativo, a superação dos limites pessoais pode representar a superação de todas as marcas. E nunca deixar de acreditar em seu potencial, sempre buscar fazer o seu melhor. Vai que ele valha um ouro olímpico, não é mesmo?

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