Surto História: A imparável Petra Majdic

A Eslovena Petra Majdic foi para os jogos Olímpicos de inverno em Vancouver confiante. Desde 2007, quando foi prata no mundial de esqui cross country, ela passou a ter reconhecimento em seu país, tendo bons equipamentos e podendo participar regularmente das etapas da Copa do mundo, ela sabia que podia sair com um bom resultado no sprint individual, sua melhor prova.


Mas em 17 de fevereiro de 2010,  no warmup do Sprint, Majdic cometeu um erro em uma curva e caiu em um barranco de três metros de altura caindo em cima de algumas pedras cobertas de neve. Ela quebrou os esquis que usava e com muitas dores, tinha a suspeita de costelas quebradas. Seria o fim de jogos olímpicos para um atleta normal, mas não para Majdic, Ela voltou à pista, assustando a todos que acharam que ela não teria condições, correu a fase qualificatória. 

Mesmo sentindo muita dor, ela passou para as quartas de final ficando em décimo nono. Após a linha de chegada ela caiu no chão de gritando de dor. Com intervalo de uma hora para as quartas de final, levaram Majdic correndo para o hospital e não sendo constatada fratura nas costelas no rápido exame que foi feito, ela foi liberada a continuar. Mas ela continuava com muitas dores e muita dificuldade até para caminhar. Mesmo assim, ela passou para as semifinais, fazendo o melhor tempo de seu grupo. E nas semifinais, a situação ficava cada vez pior para Majdic. As dores ficaram muito fortes e com muito esforço, ela conseguiu ir para a final chegando em sexto lugar. Mas a situação era grave. 


A final era em um intervalo de dez minutos e mesmo com dores muito fortes e arriscando a própria vida, Majdic se recusou a desistir e mesmo com a não recomendação dos médicos, que tentaram detê-la para fazer mais exames, foi disputar a final. Esta era a terceira olimpíada de Petra, que via em Vancouver sua última chance de ganhar uma medalha olímpica. Majdic teve que ser amparada pelo seu técnico para a largada, e no caminho que seria impossível vencer Marit Bjorgen e Justyna Kowalczyk naquela condição e resolveu se concentrar em lutar pelo bronze.  E tirando forças sabe-se lá de onde, Majdic superou Anna Olsson por 0.7s para ficar com a medalha de bronze, desabando após a linha de chegada e tendo que ser levada ao hospital.

O seu feito se torna mais notável após Majdic ser reexaminada e viu que ela teve cinco costelas quebradas, um pneumotórax (pulmão perfurado), que podia ter matado Petra. Ela teve que fazer uma drenagem de emergência no pulmão e insistindo muito, foi receber a medalha no pódio ainda com o tubo de drenagem do pneumotórax sendo amparada por médicos, o que a fez ser aplaudida de pé pelos presentes na entrega da medalha.

A medalha de Majdic foi a primeira da história da Eslovênia nos jogos de inverno. E Majdic falou após a premiação que "Esta não é uma medalha de bronze, para mim ela é de ouro com alguns diamantes em cima". Dias depois ela voltou para Eslovênia, onde foi recebida como uma heroína nacional. Recebeu a maior honraria de seu país das mãos do presidente, e recebeu um apoio do público e da mídia nunca antes visto por Petra. Sua bravura virou lenda na Eslovênia, onde surgiu a brincadeira de que "Onde Chuck Norris hesita, Petra continua!"

Majdic ainda voltou a competir por mais um ano e levou um bronze no mundial de cross country, encerrando assim sua gloriosa carreira e virando umas principais atletas da história da Eslovênia. 


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