Surto Entrevista: Bruno Souza

O Surto Olímpico bateu um papo com o narrador esportivo do canal por assinatura SporTV, Bruno Souza. Bruno comentou sobre a participação brasileira nos Jogos Rio 2016, sobre a cobertura do canal SporTV e sobre a a expectativa dele para o próximo ciclo olímpico para Tóquio 2020, além de sua opinião sobre o momento do vôlei, esporte que ele narrou nos Jogos Rio 2016. confira a entrevista abaixo: 

- Quem foi uma boa surpresa para você nos jogos e quem decepcionou nesses jogos?

Acho que não dá pra fugir do Isaquías Queiroz, da canoagem. Não que seja necessariamente uma surpresa, pois quem acompanhou os resultados dele ao longo do ciclo, sabia que ele tinha chances reais de medalha. Mas três conquistas foi algo realmente memorável e digno de todas as reverências. Fico também com o Robson Conceição, do boxe. Acredito que a natação brasileira como um todo foi uma das decepções, por tudo o que se esperava e não entregou. 

Na minha área específica, não aponto a eliminação da seleção feminina de vôlei como uma decepção, pois o fato de ter cruzado com a China, de fato dificultou as coisas. Afinal, a Lang Ping é uma das melhores treinadoras do mundo e soube "esconder o jogo" muito bem, fazendo com que a equipe crescesse na hora certa, sem contar com os valores individuais como a Ting Zhu e a Ruoqi Hui. Fiquei um pouco impressionado com a derrota da Larissa e da Talita para as alemãs Ludwig e Walkenhorst, mais por causa da maneira como foi, do placar dilatado. Por todo o investimento e qualidade das duas, esperava que trouxessem pelo menos uma medalha, mas acabou não vindo. Pena. 

- E como foi participar dos Jogos e de algo tão grande como foi a transmissão da SporTV? Que momento que você narrou vai ficar na sua memória?

Pra mim e pra todos do SporTV, a cobertura da Rio 2016 foi algo emocionante, gratificante e memorável. Uma cobertura jamais vista na TV brasileira, com 16 canais em HD e 44 sinais na web. Para mim, em especial, foi demais! Fiquei do início ao fim nas transmissões do vôlei, direto do Maracanãzinho, esporte no qual eu dediquei toda a minha vida e significa tudo pra mim. Tive a oportunidade de conversar e trocar experiências com grandes nomes do esporte, como Marcelo Negrão, Maurício, Mireya Luis, Chambertin, Hugo Conte... Sem contar o convívio maravilhoso com os comentaristas do SporTV durante a competição: Alemão, Carlão, Fofão, Nalbert e Marco Freitas. 

Dois jogos foram marcantes pra mim: EUA x França pela primeira fase no masculino e a disputa do bronze entre Rússia x EUA também no masculino. Jogaço!

- E para você, o desempenho do Brasil nos jogos agradou ou deixou a desejar?

Agradou muito! Não somos uma potência olímpica e obtivemos resultados incríveis, tanto individualmente, quanto por equipes. Veio finalmente o ouro no futebol masculino, o tri no vôlei masculino, e temos que aplaudir de pé o Thiago Braz no salto com vara, o Diego Hypólito na ginástica, sobretudo pela perseverança... Kahena e Martine foram demais também... Enfim, Alison e Bruno confirmaram o favoritismo... O Brasil foi bem! Pelo menos, essa é a minha opinião, principalmente num país como o nosso, que nem de longe possui um modelo esportivo definido, como acontece, por exemplo, nos EUA, onde esporte e educação caminham juntos, principalmente nas universidades.

- E no vôlei, esporte em que você quase seguiu carreira, você acha que Bernardinho e José roberto Guimarães permanecem para o próximo ciclo? 

Difícil dizer, porque o Bernardo tem uma paixão pelo jogo incrível e duradoura. De repente, o Zé Roberto não vai querer deixar como último feito uma eliminação nas quartas de final, mesmo sabendo que terá que liderar um processo de renovação que certamente será árduo. Pela lógica, mérito e observação de resultados, e, mesmo que pareça maluquice, vejo como palatável o Marcelo Mendez, do Cruzeiro, na seleção masculina e um retorno do Bernardinho para a seleção feminina. Na minha opinião, que fique bem claro, seria interessante. Eu, pelo menos, gostaria de ver. Mas longe de mim ir mais além nesse tema ou "pedir a cabeça" do Bernardo ou do Zé.

- Com fim dos jogos, fica a preocupação de como será este ciclo para o Brasil. O país que sedia a olimpíada costuma ir muito bem na olimpíada seguinte. Podemos esperar isso para 2020?

Tomara que sim. O país vive um momento conturbado na política e na economia e isso certamente vai se refletir no incentivo aos esportes, mesmo com a atuação da iniciativa privada. Os valores individuais existem, basta ter condições de garimpá-los. Espero ver em 2020 um basquete, um judô e uma natação mais fortes do que acompanhamos em 2016. Que o atletismo possa crescer também. Demos bons passos no handebol e no pólo aquático masculinos. Que continuem crescendo. 

- Deixe um recado para os leitores do Surto Olímpico

Continuem ligados nas transmissões do vôlei no SporTV! Rsrsrsrs! Brincadeirinha... Fiquem sempre antenados no "Surto", excelente fonte de informação pra quem curte esportes olímpicos. O Brasil é muito mais do que o pais do futebol e a Rio 2016 veio para provar de uma vez por todas isso. Um grande abraço a todos e obrigado pela oportunidade e pela leitura!


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